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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O PODER CRIADOR DA ALEGRIA E DO REGOZIJO

Leia Isaias 65 O contexto histórico do texto não é o que agora nos concerne. Meu interesse é no espírito dele. E, se levarmos em conta tal interesse, então, eu diria que o espírito do texto é basicamente algo que estabelece o contraste entre viver confiante na Fortuna (Sorte) e no Destino (Carma), de um lado; e, de outro lado, viver confiante no Deus de toda Graça, que é Aquele que “esquece iniquidades”, “afasta os nossos pecados de diante de Seus olhos”, e “cria alegria e regozijo”... Ora, é a partir dessas energias espirituais Ele diz que refaz o nosso mundo. O culto à deusa Fortuna e ao deus Destino estabelecem esperanças com vão bem quando a maré é a favor. Mas quando a Sorte é transmudada em Azar, e o Destino vira Carma de dor, então, nada mais resta que viver do passado, do que foi, do que um dia nos criou tempos generosos, e do em outras eras nos foi bom, mas que já não é. E, desse modo, morre-se... Daí a ênfase do texto ser na ação de Deus que cria novos céus e nova terra, e que apaga as lembranças amargas e angustiadas, desemocionalizando o passado, fazendo dele apenas história, e não trauma; e, afirmando que o que procede desse estado de “alegria e regozijo” é aquilo que re-harmoniza a vida, diminuindo nela os anacronismos (gente morrendo fora da hora...) e os casuísmos (plantar e outro comer...); produzindo uma espiritualidade natural (fala-se, e Deus ouve), e pavimentando o caminho da reconciliação da existência à nossa volta (leão e boi fazendo ‘amizade’). O interessante que o espírito do texto nos ensina que o passado é a Potestade que impede a experiência da Recriação em nós. Na realidade, a fim de criar coisas novas, Deus primeiro desemocionaliza o passado, e faz isto dizendo que para Ele o passado já não é, posto que foi esquecido como ofensa ou transgressão. Assim, esse Deus que não ficou traumatizado com nosso passado, é Aquele que nos perdoa a fim de que nós nos perdoemos, e, assim, possamos ficar livres do que ‘já não é’, podendo então nos abrimos para o que é; e, sobretudo, para o que está sendo feito. Todavia, antes de criar um mundo novo, Deus cria “alegria e regozijo”, posto que é da Gratidão que nascem todos os mundos que valem a pena existir. O princípio que se estabelece é simples quando aplicado existencial, psicológica e espiritualmente a cada um de nós. Aquele que caminha com Confiança e Gratidão, sempre tem olhos para ver o que Deus está criando; e, por tal percepção, se alegra e se regozija, de tal modo que de seu coração procederão as forças invisíveis e criadoras que naturalmente re-harmonizarão o seu mundo. Eu sei como energias espirituais em desarmonia e inquietação podem, sozinhas, arruinar toda a conectividade que durante uma vida inteira se havia construído. Mas também sei que certas e boas re-conexões da mesma ordem podem realizar o re-surgimento de bons e milagrosos mundos. Trazer a vida para debaixo da Graça que nos ensina a andar em Confiança e Gratidão, sabendo que de cada ruína pode nascer uma nova cidade, e que de cada toco deixado queimando pode ainda brotar um renovo—posto que não se anda conforme a deusa Fortuna e nem de acordo com o deus Destino—, é aquilo que nos põe na vereda das novas criações que Deus sempre realiza quando a fé não se rende ao Azar ou ao Carma. “Eis que eu crio para vós outros prazer e alegria...” O que a isso se segue é descrito com linguagem mítica, com hipérboles, com grandiosidade poética...; porém, a mensagem é uma só: confie, ande com gratidão, abrace a alegria e o regozijo que a Graça faz brotar do nada em seu coração, e, então, ande conforme essa harmonia. O resultado é que sua existência começará a experimentar, sem esforço, uma vida na qual todas as coisas começam a encontrar o seu próprio lugar. Quem desejar confinar o texto de Isaías 65 nas prisões escatológico-dispensacionalistas, pode faze-lo. Todavia, saiba: está perdendo o melhor da festa hoje. A versão neotestamentária de Isaías 65 é Filipenses 4, todo o capítulo. Ali se observa como uma vida que se existencializa como alegria no Senhor, não tem como não alcançar a harmonia em si mesma, a qual, no dizer de Paulo, é “a paz de Deus que guarda mente e corações”. Quem gosta de Isaías, então, que ache bacana. Mas quem ama a Palavra, então, que experimente! 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A PERFEITA IMPERFEIÇÃO DA IGREJA

Leitura: Mateus 18

Tem gente que ainda não entendeu que quando Jesus disse “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu aí estou no meio deles”, Ele estava ensinando qual é o vértice espiritual e histórico que dá significado à Igreja; ou seja: Ele ensina o que “realiza a verdade” da Igreja, como encontro humano.

E o contexto fala de reconciliação. Um irmão “ofendido” tem que procurar o “ofensor” e tentar ganhá-lo. E isto deve ser feito insistentemente, até que o próprio ofensor rejeite toda conciliação.

A palavra grega que designa essa “reunião” é mesma que fala de harmonia, como se o que estivesse em curso fosse uma “afinação de instrumentos”.

O outro pólo mais adulto dessa proposta está em Lucas, quando Jesus diz que se deve perdoar ao irmão até setenta vezes sete num único dia.

Ou seja: a proposta de Jesus nos põe a todos de calça curta, e necessitados de dizer: “Senhor, aumenta-nos a fé; pois ainda não somos cristãos”.

Até o quarto século o que impressionou os “pagãos” que observavam os cristãos não era a “perfeição” deles, mas o amor e a graça com a qual se tratavam e tratavam o mundo.

“Olhem como se amam!”—era a estupefação que ecoava nas palavras de gente que olhava os cristãos de fora, conforme vários testemunhos encontrados em antigos textos históricos.

Portanto, a perfeição da igreja é não se “vender como perfeita”, mas sim se revelar, sem ensaio e performance, como lugar de misericórdia e graça.

Não é possível esperar perfeição de nenhum de nós. Somos caídos e maus...o melhor de nós ainda é mau.

O que nos faz diferentes é nossa atitude, se é honesta com a nossa própria Queda, e, sobretudo, sincera com a Graça que todos nós temos recebidos.

Daí a perfeição do discípulo ser sua humildade... humildade para ser, sem ser ainda o que deseja; humildade para viver com misericórdia, pois ele mesmo carece dela, todos os dias, nos céus e na terra. 

Repito: o problema da “igreja” nunca foram os seus erros humanos, mas sim a sua arrogância em relação a não se enxergar, e oferecer-se como a Representante de Deus na terra.

Quem desejar, que tente!

Mas no dia em que deixarmos de lado toda essa empáfia e formos apenas gente da Graça, então, assustados veremos o respeito que o mundo nos terá; conforme aconteceu até o ano 332 da presente era, ainda que algumas vezes o lugar do testemunho tenham sido cruzes e arenas...

E havia problemas antes disso? Sim, sempre houve muitos problemas!

Quem conhece a História sabe deles. E quem lê os textos produzidos nos dois primeiros séculos, sabe da quantidade de dificuldades internas que os vários grupos cristãos tiveram. Todavia, tais problemas não foram problemas reais enquanto o sentido de “irmandade na Graça” esteve presente.

Não foi a perfeição da Igreja que abalou o Império Romano. Foi a sua perfeita-imperfeição; ou seja: sua humanidade vivida sob a graça; e que falava da Boa Nova em Jesus, não nela mesma. Nela havia humildade, serviço, confissão, comunhão e coragem sem empáfia.

Me sinto um bobo escrevendo coisas tão BÁSICAS, mas é que fico assustado quando vejo que os crentes de hoje não têm umbigo, e pensam que estão inventando a “igreja” agora.

E pior: dói-me ver que alguns dizem: “É assim mesmo...temos que nos acostumar...quando é que já foi diferente?”

Bem, foi diferente apenas enquanto todos se sabiam filhos da misericórdia e buscavam renovar a mente conforme o entendimento na Graça; e que só se manifesta no nível horizontal como amor e simplicidade no trato humano, o que acontece naturalmente quando a arrogância dá lugar à gratidão em razão da consciência acerca do perdão recebido.

Jesus não pede perfeição—mesmo quando diz “Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai...”—, pois a única perfeição humana é assumir sua própria imperfeição, e, assim, imitar o Pai, não em sua Perfeita-Perfeição, mas em Sua Graça, que Ele derrama sobre justos em injustos.

A perfeição da Igreja é ser humildemente filha desse Pai que a todos trata com misericórdia!

Quem não for cego, que veja; quem não for surdo, que ouça; quem tiver entendimento, não o feche; e quem tiver sido objeto da Graça, que a sirva aos outros.

Nossa perfeição é a Justiça de Cristo!

Caio

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Feliz 2018

Quanto mais caminho com Deus pela fé e buscando todo o descanso que o fiel amor de Deus nos garante, mais provo uma paz e um sentido de desígnio e cuidado divinos MARAVILHOSOS e que me embalam a alma.

Nunca pensei que na Terra eu começaria a comer desse maná!

Cada dia mais vejo a total praticabilidade do Evangelho, apesar de todas as nossas ambiguidades e fraquezas. 

Sim, o Evangelho é verdade porque o que promete é realidade experiencial já agora; posto que sua marca de verdade seja a “paz que excede a todo entendimento” e que habita o coração confiante no imutável amor de Deus.

É tudo uma questão de crer que a Palavra de Jesus é mais sólida do que o que possa ser sólido. É Rocha Eterna; e, portanto, é fato.

Não é preciso fazer nada. Afinal, Ele é vivo. Assim, é só falar com Ele mesmo, direto, sem intermediários. Esta é a maravilha. Ele está aí. Bem ao seu lado. E pode passar pra dentro de você. É só pedir. Se abrir e convidar, Ele entra.

Este será o mais fascinante acontecimento do dia.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O Espírito Santo em relação ao Crente

As relações do Espírito Santo com o cristão devem ser descritas na categoria existencial. Quando falo em categoria existencial estou me referindo a coisas experienciais, que se provam verdadeiras a partir de relações interiores e místicas com o Espírito.
Neste particular dois extremos podem ser hoje observados: o teólogo-doutrinário, que diz que tudo que os cristãos têm que ter do Espírito é conhecimento teológico; e o pentecostal e neopentecostal, que dão ênfase unicamente à condição existencial, experiencial da relação com o Espírito. As Escrituras nos apresentam a validade dos dois aspectos apenas se eles estão juntos. Separados, são deformantes e redutores do projeto da Bíblia, quanto a ensinar qual deva ser a legítima relação do cristão com o Espírito. Dessa forma, na Bíblia, esses dois aspectos se fundem equilibradamente. Tenho que ter conhecimento teológico de quem é o Espírito Santo; entretanto esse conhecimento tem que ser experiencial ─ precisa produzir realidades existenciais, mudanças em minha vida.

1. O Espírito Santo é quem nos regenera, nos transforma numa nova criação de Deus, nos faz nascer de novo (Tt. 3:5 e Jo. 3:5). Sem a obra do Espírito, não há nada novo no coração humano. Somente o Espírito gera uma nova criatura. A moral social faz surgir um moralista. Os compromissos cívicos fazem aparecer um cidadão responsável. A política faz desabrochar um homem crítico e esperto. A religião faz nascer um filantropo. O amor pela família torna o ser humano menos egoísta. Mas nenhuma destas coisas faz nascer o novo homem, segundo a imagem de Deus. “Quem é nascido da carne”, disse o Senhor Jesus. Somente o “lavar renovador e regenerador do Espírito Santo” pode fazer aparecer o ser humano cidadão do reino de Deus. Qualquer outra perspectiva de fazer o Novo Homem sem um encontro radical, essencial, revolucionário e dramático com o Espírito é totalmente utópica e fadada ao fracasso. Neste século tivemos um tremendo exemplo disso ─ a derrota do comunismo no seu intento autônomo de resolver o problema da natureza humana de fora para dentro, apenas com pão e justiça social. O fracasso foi tão retumbante que dispensa maiores comentários. Ainda neste mesmo filão de raciocínio, devo afirmar que a própria igreja-instituição tem sido outro exemplo desse desastre humano quanto a produzir o novo homem sem o Espírito. A trágica história do Ocidente está intrinsecamente ligada à história da Igreja. A Europa, os Estados Unidos e a América Latina foram teoricamente continentes cristãos. Mas esse cristianismo não impediu tais sociedades de se imortalizarem pelas maiores atrocidades já cometidas na história humana. Sem o Espírito, não há o novo homem segundo Deus, mesmo que haja abundância de cristianismo.

2. O Espírito Santo é nossa garantia de salvação. Paulo diz em Efésios 1:13 e 14 que Deus colocou o Espírito no coração como “penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória”. O que é penhor? Penhor é algo que se deixa como garantia de que se vai voltar para efetuar o pagamento; de que se vai retornar para cumprir uma promessa. Veio o Senhor e deixou o Espírito como penhor, como garantia absoluta da nossa salvação, como prova de que não só estamos salvos como também ele voltará um dia, ressuscitará nosso corpo mortal e o tomará como propriedade exclusiva sua, para louvor eterno de sua glória.

3. O Espírito Santo é nossa garantia de comunhão com Deus. Em I João 3:24 está dito: “E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em nós, pelo Espírito que nos deu”. Eu permaneço em Deus, Deus permanece em mim. Sei que ele permanece em mim pelo Espírito que me deu. No cap. 4, v. 13 de I João está escrito: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, em que nos deu do seu Espírito”.
Ninguém tem que conflitar-se a esse respeito. Não se angustie com questões do tipo: “Não sei se ainda tenho comunhão com Deus... Se a perdi...” “Deus está aí, em e com você, morando em seu coração! Você tem o Espírito em você. Acredite nisto! Se você tem o Espírito e tem comunhão com ele, e ele com você, ele permanece em você, e você permanece nele. Aproprie-se disto, pela fé.

4. O Espírito Santo é nossa consolação. Em João 14:16, Jesus prometeu enviar “outro Controlador”. Este “outro” estabelece uma equivalência comparativa. Os discípulos de vez em quando se sentiam desanimados, tristes, alquebrados: “Deixamos tudo para te seguir ─ a casa, a família, a pesca, tudo. Que vamos fazer agora?” Jesus vem e os conforta: “Ouçam, vocês vão ter aqui cem vezes mais. Quanto ao que está por vir, nem dá para falar”. Então, eles retrucam: “Somos os párias do mundo! O que vai ser de nós?” Jesus responde: “Você vão reinar, vão governar no reino de Deus”. Agora Jesus está prestes a partir, e eles estão murchos, deprimidos... Jesus lhes diz: “Pensem na mulher; quando ela está para dar luz ela fica abatida, sente dores! O que vocês estão sentido agora são as dores do parto da salvação. Eu vou sentir as agonias. Mas vocês estão vivendo à sombra desta hora de agonia. A vida, no entanto, não é só parto. A cruz não ficará erguida para sempre. Eu vou ressuscitar. Vocês então vão ficar alegres como a mulher quando ao ter o filho, toma-o nos braços, chorando, e diz: „Graças a Deus! Meu neném!‟ A ressurreição vai fazer isso. E mais ainda: Vou mandar-lhes um outro Controlador”. Pode-se observar que não obstante Jesus tenha ido para o céu, o livro de Atos não nos passa nenhuma impressão de nostalgia ou sentimentalismo. Pedro não se queixa: “Há, que saudade do Senhor! Estou triste; tudo tão vazio! Estou a ponto de ser consumido de angústia!” Isso não aconteceu porque o Senhor derramou o seu Espírito, um outro Consolador. Ele subiu ao céu, mas a Igreja ficou retumbante como nunca, alegre, poderosa, transbordante do Espírito Santo. Ela tem a presença do Consolador, presença animadora do Senhor, do próprio Jesus.

5. O Espírito Santo é quem dá acesso ao Pai em orações mediante Jesus (Ef. 2:18). Ou seja, por intermédio de Jesus nós nos aproximamos de Deus, “temos acesso ao Pai em um Espírito”. Jesus também disse “que Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Na minha maneira de entender, Jesus estava dizendo a mesma coisa que Paulo posteriormente disse, conforme o texto de Efésios transcrito acima. Não apenas temos que adorar a Deus em espírito, mas também adorá-lo no Espírito. Em outras palavras: não há qualquer possibilidade de relação da alma humana com Deus a não ser no Espírito Santo. Quando Jesus disse que a adoração seria em espírito (espírito com “e” minúsculo), ele estava afirmando a adoração como tendo que ser livre de quaisquer materialismos condicionantes do sagrado a tempo e espaço (“nem neste monte nem em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”). No entanto ele não estava ensinando o culto a Deus como uma possibilidade fenomenológica inerente ao espírito humano no seu estado de queda. O homem é capaz de ânsias pelo sagrado mesmo enquanto caído e alienado; no entanto não está apto de fato a cultuar a Deus, a menos que tal culto se dê no Espírito Santo.

6. Ele é nosso intercessor espiritual. Devemos aqui fazer uma diferença entre intercessor existencial e judicial. A Bíblia diz, em I João 2:1 e 2, que Jesus é nosso parácleto, nosso advogado, nosso intercessor judicial: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. Mas em Romanos 8:26, o Espírito Santo é colocado como o nosso intercessor existencial. Jesus intercede pelo que fiz de errado. Ele tira, elimina a culpa. Mas o Espírito Santo intercede existencialmente, tentando me livrar de cair no erro, de ser dominado pela fraqueza. Isto é o que diz Romanos 8:26.

7. O Espírito é nosso vínculo vital com Jesus. É impossível alguém afirmar que é de Jesus se não tem o Espírito Santo ─ conforme a teologia de Atos 19. Nesse texto vemos que os discípulos encontrados em Éfeso se diziam discípulos, tinham cara de discípulos, sabiam alguma coisa de Jesus, e não obstante todas as realidades aparentes, ignoravam que o Espírito Santo existia. A Bíblia diz em Romanos 8:9 que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Quem é de Jesus tem o Espírito do Senhor.

8. O Espírito Santo é quem transforma nosso corpo ─ enrugado, cansado, estressado, gasto, exausto ─ em santuário de Deus. I Coríntios 6:19 diz que nós somos templos vivos, onde Deus habita. E nossos sentimentos, atitudes, motivações e pensamentos são a liturgia viva desse culto que tem que ser prestado a ele.

9. O Espírito é nossa fonte de sabedoria na tribulação. Mateus 10:20, Marcos 13:14 e Lucas 12:11 e 12 são textos sinóticos, onde Jesus fala aos discípulos que na hora do aperto, da tribulação, da angústia, da opressão, dos tribunais, dos questionamentos; quando estivessem confrontados com homens maus e situações adversas, o Espírito lhes daria sabedoria, conforme deu a Estevão ─ de forma tão tremenda, profunda e poderosa que ninguém lhe poderia resistir.

10. O Espírito Santo é nossa fonte de vida existencial. Em João 7:37-39, Jesus, no grande dia da Festa dos Tabernáculos, em Jerusalém, disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. E João interpreta assim suas palavras: “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até esse momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”. Com isso Jesus declarando que a vida cristã tem que ter uma fonte existencial cotidiana e sobrenatural. A intenção de Jesus era que o Espírito nos livrasse da angústia de uma vida seca e sem propósito. Ele nos propiciaria a novidade de uma fonte que não se esgota.

11. O Espírito é quem contemporaneamente julga os cristãos. Atos 5:1 em diante, narra o fato de que o Espírito exerceu juízo sobre Ananias e Safira, que haviam mentido, enganado, usado de hipocrisia. Deus julga hoje, em plena “época” da Graça. Existe uma outra ideia da Graça, segundo a qual o Deus que ama não julga. Mas de acordo com I Coríntios 11:32 ele nos julga para que não sejamos condenados com o mundo. Julga na Ceia, julga pelo Espírito, julga pela Palavra; julga a nossa vida pelas expressões de dor e perplexidade que nos acometem.

12. O Espírito Santo quem nos santifica. II Tessalonicenses 2:13 afirma que nós fomos escolhidos “para a salvação, pela santificação do Espírito”. Em I Coríntios 6:11 também está claro o fato de que o Espírito nos santifica, mas não apenas metafisicamente. Paulo, no contexto antecedente, diz que os impuros, beberrões, adúlteros, injustos, maldizentes, ladrões, não herdarão o reino dos céus. A seguir declara: “Tais fostes alguns de vós”. A Igreja de Corinto era uma grande casa de recuperação, um hospital, uma comunidade terapêutica: “Tais fostes alguns de vós”. Em outras palavras, isto é o que Paulo diz: “Viestes para cá beberrões, prostitutas, lésbicas, sodomitas, homossexuais, mas fostes feitos de fato santos. Se não, veja o texto: “Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes; mas fostes santificados (...) no Espírito”. Tal significação podia realmente ser vista na vida deles através de mudanças práticas e perceptíveis.

13. É o Espírito quem fortalece o nosso íntimo (Ef. 3:16). Ele fortifica o nosso homem interior com “dynamis”, com poder maravilhoso, para não sermos como aquelas horríveis hienas: “Ó mês, ó dia, ó ano, ó azar!...” Quando lemos o livro de C.S. Lewis, “Cadeira de Prata”, conhecemos um sapo chamado Paulama, que murmura: “Ó dia” Não vai dar certo! Dia de sol é prenúncio de dia de chuva...” Mas o que acontece para quem tem Jesus no coração é algo maravilhoso: vem o Espírito e fortalece o coração com poder; o homem interior com “dynamis”, com explosão, com força miraculosa.

14. É o Espírito que nos inunda de amor na tribulação, nas situações amargas e difíceis. Romanos 5 contém a conhecida sequência que fala da tribulação que produz perseverança; a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Após o que o Espírito de Deus se derrama no coração. Há uma especial inundação do Espírito no coração do cristão que persevera esperançoso em Deus.

15. O Espírito é o Espírito da alegria. Essa alegria não é simples resultado de música alegre, animada ─ uma espécie de festival evangélico. Pode até ser; de vez em quando isso é bom. Mas alegria espiritual não é brincadeira; é fruto do Espírito do Senhor em nossa alma. O Reino de Deus não é comida nem bebida. Não é através disso que sou feliz. Não é pelo fato de me fartar de delícias que me encho de contentamento. Paulo afirma que o Reino de Deus não é nada disso; pelo contrário, “é paz, justiça e alegria no Espírito Santo”. Em I Tessalonicenses 1:16 Paulo dia que a Igreja de Tessalônica, mesmo em meio à tribulação, “transbordava de alegria no Espírito Santo”.

16. É o Espírito que nos concede a mente de Cristo. O Espírito conhece as profundezas de Deus. Só ele sabe realmente o que Deus pensa. E é ele quem compartilha conosco o pensar de Deus. Dessa maneira podemos alcançar o milagre de termos a “mente de Cristo” (I Co. 2:14,15). A harmonização da nossa mente com a mente de Cristo é, portanto, obra do Espírito, mediante sua capacidade de imprimir as mais fortes impressões do caráter e da vontade de Deus em nossa mente. Tal trabalho não nos dispensa a relação com a Palavra de Deus na nossa conformação mental a seus padrões. Todavia, requer-se de nós mais que leitura e estudo da Palavra. É necessário que se mantenha essa relação com ela enquanto se assume singeleza intelectual. Através de tal singeleza nossa mente se oferece ao Espírito de Deus a fim de que ele nos “imprima” a Palavra de Deus no coração. Essa atitude nos assegura uma relação com a revelação dos referenciais básicos da mente de Deus (a Palavra), enquanto se tem também percepção da mente de Cristo em relação aos aspectos particulares da nossa vida (pela aplicação que o Espírito faz da Palavra). Ou seja: a Bíblia nos oferece a certeza de como é o caráter de Deus. Mas é mediante uma profunda relação com o Espírito que somos capacitados a discernir quais são os aspectos da mente de Cristo que têm relação com nossa vida individual. Tal discernimento é a especificação da vontade de Deus com respeito a nós, e que se dá dentro dos referenciais do caráter de Deus, conforme definidos de maneira inequívoca na Escritura.

17. É o Espírito quem nos proporciona a vida e paz. Romanos 8:6 diz que “o pendor da carne dá para a morte, mas o pendor do Espírito dá para vida e paz”. Isso porque ele nos capacita também a viver em obediência à vontade de Deus, ainda que libertos da lei. Romanos 8:4 diz que agora estamos aptos, capacitados pelo Espírito a cumprir a lei do Espírito e da vida, porém isentos da lei moral. Isso parece contraditório, mas não é. De fato, Cristo nos libertou da lei moral a fim de que vivamos a vontade de Deus. A lei moral é impraticável porque determina que a relação do indivíduo com ela tem que ser obediência objetiva absoluta. Caso contrário se está morto. No entanto, a fé cristã nos apresenta nossa relação com Deus como sendo livre da moral, a fim de que sejamos escravos do seu amor. Para muitos, isso pode parecer a mesma coisa, mas não é. No primeiro caso (da lei moral), o indivíduo é pressionado à obediência de fora para dentro. São preceitos externos que se tornam nos referenciais da vida dele. Já no segundo caso (escravidão ao amor de Deus), nossa obediência é resultado de um constrangimento de amor não culposo que é derramado pelo Espírito da graça no nosso coração. A lei gera uma obediência assustada e culposa. O Espírito da graça dá origem a uma obediência livre, santa, nascida no interior do ser. É o que diz Gálatas 5:23 quando afirma que quem ainda no Espírito manifesta o fruto do Espírito, que é “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, mansidão e domínio próprio”. No final desta afirmação Paulo diz: “Ora, contra estas coisas não há Lei”. Não há lei porque o amor cumpre toda a lei, daí resultando que aquele que a cumpre não se sente cumprindo. Ele apenas experimenta a sensação de estar vivendo em obediência ao amor de Deus. Tudo isso é obra do Espírito no nosso coração: “Andai no Espírito, e jamais satisfareis as concupiscências da carne” (Gl. 5:16).

18. É o Espírito quem dá testemunho da nossa filiação a Deus. E para que se alcance esse objetivo não é preciso haver qualquer forma de condicionamento mental, ou lavagem cerebral do tipo que enfia convicção na cabeça das pessoas pela via de repetições como esta que se ouve por aí: “Meu filho, você é filho de Deus; você já fez essa declaração, lembra? Você é filho de Deus, e filho de Deus, é filho de Deus...” Faz-se muito disso em nossos dias. Contudo, o que a Bíblia diz em Romanos 8:16 é que”o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

19. É o Espírito quem nos conduz à imagem de Cristo. Em II Coríntios 3:18 está dito que nós estamos sendo trabalhados, esculpidos, transformados e burilados pelo Espírito à medida que contemplamos a glória do Senhor como que por um espelho. Vemos a imagem de Cristo no espelho da Palavra. Mas essa contemplação não é ainda nítida. Vemos como que em diagonal, contemplando a imagem às vezes turva. No entanto, o Espírito Santo está agindo em nós, fazendo com que nos conformemos à imagem de Cristo que estamos vendo na Palavra. Se olharmos para Jesus, dia a dia o Espírito nos vai tornando mais semelhantes a ele. E quando o Senhor vier e nos transformar plenamente na sua imagem glorificante, esta terá sido também uma obra do Espírito em nossa vida.

(Texto Extraído do Livro: Espírito Santo: O Deus que vive em nós do Pastor Caio Fábio)

Quem é o Espírito Santo?

Há muitos conceitos errôneos sobre a identidade do Espírito Santo. Alguns vêem o Espírito Santo como uma força mística. Outros entendem o Espírito Santo como sendo um poder impessoal que Deus disponibiliza aos seguidores de Cristo. O que diz a Bíblia a respeito da identidade do Espírito Santo? Colocando de forma simples – a Bíblia diz que o Espírito Santo é Deus. A Bíblia também nos diz que o Espírito Santo é uma Pessoa, um Ser com mente, emoções e uma vontade.

O fato do Espírito Santo ser Deus é claramente visto em muitas Escrituras, incluindo Atos 5:3-4. Neste verso Pedro confronta Ananias em por que ele tinha mentido para o Espírito Santo, e a ele diz “não mentiste aos homens, mas a Deus”. É uma declaração clara de que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus. Podemos também saber que o Espírito Santo é Deus porque Ele possui os atributos ou características de Deus. Por exemplo, a onipresença do Espírito Santo é vista em Salmos 139:7-8: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.” Em I Coríntios 2:10 vemos a característica de onisciência do Espírito Santo: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”

Podemos saber que o Espírito Santo é mesmo uma Pessoa porque Ele possui uma mente, emoções e vontade. O Espírito Santo pensa e sabe (I Coríntios 2:10). O Espírito Santo pode se entristecer (Efésios 4:30). O Espírito intercede por nós (Romanos 8:26-27). O Espírito Santo toma decisões de acordo com Sua vontade (I Coríntios 12:7-11). O Espírito Santo é Deus, a terceira “Pessoa” da Trindade. Como Deus, o Espírito Santo pode verdadeiramente agir como o Confortador e Consolador que Jesus prometeu que ele seria (João 14:16,26; 15:26).

Crédito: Texto Estraído do Gotquestions

quarta-feira, 15 de março de 2017

Oração como estilo de vida!

Oração tem que deixar de ser um rito, e passar a ser um estado interior. 
As pessoas têm tanta dificuldade para separar um tempo para orar apenas porque não oram o tempo todo. A oração precisa ser a conversa da alma consigo mesma na presença de Deus, e a conversa da alma com Deus enquanto fala de si mesma. Ora, isto pode acontecer em todo o lugar, pois esse "ambiente" é móvel. É no caminho, é enquanto se está indo...e vivendo... 
Quando a mente se habitua a pensar diante de Deus—qualquer pensamento—, e existe consciente de que sua essência se alimenta de Deus, todo e qualquer tempo, o tempo todo, é oração.
Deve-se orar sem cessar, e isto só é possível se a vida não tiver que cessar para se orar. Eu oro em todo lugar e o tempo todo. Cada letra que escolho para escrever aqui o faço em oração. Cada frase, da construção, cada resposta, cada opinião, cada sentimento—bons e maus—, e cada percepção—indo do prazer de um banho às alegrias do amor; indo das tristezas comigo mesmo á gratidão por conquistas interiores e exteriores! Enfim, tudo é oração quando a vida acontece sem “departamentos” diante de Deus. Creio que as pessoas têm tanta dificuldade de orar porque Deus é um “departamento” da vida delas, e porque a oração é ainda um sub-departamento da “Seção Deus”. 
Mas quando toda a vida é vida com Deus, e quando a Deus é toda a nossa vida, orar passa ser como respirar. E a gente respira para viver, mesmo nas piores horas da vida. O Salmo 139 ensina o significado de Deus para uma consciência para quem a totalidade da vida acontece em Deus. 
Se subo aos céus, lá estás...se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também! 
Depois que a fé nos coloca em Deus com essa naturalidade, orar passa a ser uma coisa tão espontânea quanto respirar, e o separar um tempo para a oração em solitude e silêncio no quarto ou em algum lugar, não é um peso, é a continuidade da vida. Era assim com Jesus. O propósito é que seja assim com a gente! Nele, que nos ensina a oração como vida e a vida como oração, 

sábado, 29 de outubro de 2016

O ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO AO CRENTE

As relações do Espírito Santo com o cristão devem ser descritas na categoria existencial. Quando falo em categoria existencial estou me referindo a coisas experienciais, que se provam verdadeiras a partir de relações interiores e místicas com o Espírito.
Neste particular dois extremos podem ser hoje observados: o teólogo-doutrinário, que diz que tudo que os cristãos têm que ter do Espírito é conhecimento teológico; e o pentecostal e neopentecostal, que dão ênfase unicamente à condição existencial, experiencial da relação com o Espírito. As Escrituras nos apresentam a validade dos dois aspectos apenas se eles estão juntos. Separados, são deformantes e redutores do projeto da Bíblia, quanto a ensinar qual deva ser a legítima relação do cristão com o Espírito. Dessa forma, na Bíblia, esses dois aspectos se fundem equilibradamente. Tenho que ter conhecimento teológico de quem é o Espírito Santo; entretanto esse conhecimento tem que ser experiencial ─ precisa produzir realidades existenciais, mudanças em minha vida.

1. O Espírito Santo é quem nos regenera, nos transforma numa nova criação de Deus, nos faz nascer de novo (Tt. 3:5 e Jo. 3:5). Sem a obra do Espírito, não há nada novo no coração humano. Somente o Espírito gera uma nova criatura. A moral social faz surgir um moralista. Os compromissos cívicos fazem aparecer um cidadão responsável. A política faz desabrochar um homem crítico e esperto. A religião faz nascer um filantropo. O amor pela família torna o ser humano menos egoísta. Mas nenhuma destas coisas faz nascer o novo homem, segundo a imagem de Deus. “Quem é nascido da carne”, disse o Senhor Jesus. Somente o “lavar renovador e regenerador do Espírito Santo” pode fazer aparecer o ser humano cidadão do reino de Deus. Qualquer outra perspectiva de fazer o Novo Homem sem um encontro radical, essencial, revolucionário e dramático com o Espírito é totalmente utópica e fadada ao fracasso. Neste século tivemos um tremendo exemplo disso ─ a derrota do comunismo no seu intento autônomo de resolver o problema da natureza humana de fora para dentro, apenas com pão e justiça social. O fracasso foi tão retumbante que dispensa maiores comentários. Ainda neste mesmo filão de raciocínio, devo afirmar que a própria igreja-instituição tem sido outro exemplo desse desastre humano quanto a produzir o novo homem sem o Espírito. A trágica história do Ocidente está intrinsecamente ligada à história da Igreja. A Europa, os Estados Unidos e a América Latina foram teoricamente continentes cristãos. Mas esse cristianismo não impediu tais sociedades de se imortalizarem pelas maiores atrocidades já cometidas na história humana. Sem o Espírito, não há o novo homem segundo Deus, mesmo que haja abundância de cristianismo.

2. O Espírito Santo é nossa garantia de salvação. Paulo diz em Efésios 1:13 e 14 que Deus colocou o Espírito no coração como “penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória”. O que é penhor? Penhor é algo que se deixa como garantia de que se vai voltar para efetuar o pagamento; de que se vai retornar para cumprir uma promessa. Veio o Senhor e deixou o Espírito como penhor, como garantia absoluta da nossa salvação, como prova de que não só estamos salvos como também ele voltará um dia, ressuscitará nosso corpo mortal e o tomará como propriedade exclusiva sua, para louvor eterno de sua glória.

3. O Espírito Santo é nossa garantia de comunhão com Deus. Em I João 3:24 está dito: “E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em nós, pelo Espírito que nos deu”. Eu permaneço em Deus, Deus permanece em mim. Sei que ele permanece em mim pelo Espírito que me deu. No cap. 4, v. 13 de I João está escrito: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, em que nos deu do seu Espírito”.
Ninguém tem que conflitar-se a esse respeito. Não se angustie com questões do tipo: “Não sei se ainda tenho comunhão com Deus... Se a perdi...” “Deus está aí, em e com você, morando em seu coração! Você tem o Espírito em você. Acredite nisto! Se você tem o Espírito e tem comunhão com ele, e ele com você, ele permanece em você, e você permanece nele. Aproprie-se disto, pela fé.

4. O Espírito Santo é nossa consolação. Em João 14:16, Jesus prometeu enviar “outro Controlador”. Este “outro” estabelece uma equivalência comparativa. Os discípulos de vez em quando se sentiam desanimados, tristes, alquebrados: “Deixamos tudo para te seguir ─ a casa, a família, a pesca, tudo. Que vamos fazer agora?” Jesus vem e os conforta: “Ouçam, vocês vão ter aqui cem vezes mais. Quanto ao que está por vir, nem dá para falar”. Então, eles retrucam: “Somos os párias do mundo! O que vai ser de nós?” Jesus responde: “Você vão reinar, vão governar no reino de Deus”. Agora Jesus está prestes a partir, e eles estão murchos, deprimidos... Jesus lhes diz: “Pensem na mulher; quando ela está para dar luz ela fica abatida, sente dores! O que vocês estão sentido agora são as dores do parto da salvação. Eu vou sentir as agonias. Mas vocês estão vivendo à sombra desta hora de agonia. A vida, no entanto, não é só parto. A cruz não ficará erguida para sempre. Eu vou ressuscitar. Vocês então vão ficar alegres como a mulher quando ao ter o filho, toma-o nos braços, chorando, e diz: „Graças a Deus! Meu neném!‟ A ressurreição vai fazer isso. E mais ainda: Vou mandar-lhes um outro Controlador”. Pode-se observar que não obstante Jesus tenha ido para o céu, o livro de Atos não nos passa nenhuma impressão de nostalgia ou sentimentalismo. Pedro não se queixa: “Há, que saudade do Senhor! Estou triste; tudo tão vazio! Estou a ponto de ser consumido de angústia!” Isso não aconteceu porque o Senhor derramou o seu Espírito, um outro Consolador. Ele subiu ao céu, mas a Igreja ficou retumbante como nunca, alegre, poderosa, transbordante do Espírito Santo. Ela tem a presença do Consolador, presença animadora do Senhor, do próprio Jesus.

5. O Espírito Santo é quem dá acesso ao Pai em orações mediante Jesus (Ef. 2:18). Ou seja, por intermédio de Jesus nós nos aproximamos de Deus, “temos acesso ao Pai em um Espírito”. Jesus também disse “que Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Na minha maneira de entender, Jesus estava dizendo a mesma coisa que Paulo posteriormente disse, conforme o texto de Efésios transcrito acima. Não apenas temos que adorar a Deus em espírito, mas também adorá-lo no Espírito. Em outras palavras: não há qualquer possibilidade de relação da alma humana com Deus a não ser no Espírito Santo. Quando Jesus disse que a adoração seria em espírito (espírito com “e” minúsculo), ele estava afirmando a adoração como tendo que ser livre de quaisquer materialismos condicionantes do sagrado a tempo e espaço (“nem neste monte nem em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”). No entanto ele não estava ensinando o culto a Deus como uma possibilidade fenomenológica inerente ao espírito humano no seu estado de queda. O homem é capaz de ânsias pelo sagrado mesmo enquanto caído e alienado; no entanto não está apto de fato a cultuar a Deus, a menos que tal culto se dê no Espírito Santo.

6. Ele é nosso intercessor espiritual. Devemos aqui fazer uma diferença entre intercessor existencial e judicial. A Bíblia diz, em I João 2:1 e 2, que Jesus é nosso parácleto, nosso advogado, nosso intercessor judicial: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. Mas em Romanos 8:26, o Espírito Santo é colocado como o nosso intercessor existencial. Jesus intercede pelo que fiz de errado. Ele tira, elimina a culpa. Mas o Espírito Santo intercede existencialmente, tentando me livrar de cair no erro, de ser dominado pela fraqueza. Isto é o que diz Romanos 8:26.

7. O Espírito é nosso vínculo vital com Jesus. É impossível alguém afirmar que é de Jesus se não tem o Espírito Santo ─ conforme a teologia de Atos 19. Nesse texto vemos que os discípulos encontrados em Éfeso se diziam discípulos, tinham cara de discípulos, sabiam alguma coisa de Jesus, e não obstante todas as realidades aparentes, ignoravam que o Espírito Santo existia. A Bíblia diz em Romanos 8:9 que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Quem é de Jesus tem o Espírito do Senhor.

8. O Espírito Santo é quem transforma nosso corpo ─ enrugado, cansado, estressado, gasto, exausto ─ em santuário de Deus. I Coríntios 6:19 diz que nós somos templos vivos, onde Deus habita. E nossos sentimentos, atitudes, motivações e pensamentos são a liturgia viva desse culto que tem que ser prestado a ele.

9. O Espírito é nossa fonte de sabedoria na tribulação. Mateus 10:20, Marcos 13:14 e Lucas 12:11 e 12 são textos sinóticos, onde Jesus fala aos discípulos que na hora do aperto, da tribulação, da angústia, da opressão, dos tribunais, dos questionamentos; quando estivessem confrontados com homens maus e situações adversas, o Espírito lhes daria sabedoria, conforme deu a Estevão ─ de forma tão tremenda, profunda e poderosa que ninguém lhe poderia resistir.

10. O Espírito Santo é nossa fonte de vida existencial. Em João 7:37-39, Jesus, no grande dia da Festa dos Tabernáculos, em Jerusalém, disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. E João interpreta assim suas palavras: “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até esse momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”. Com isso Jesus declarando que a vida cristã tem que ter uma fonte existencial cotidiana e sobrenatural. A intenção de Jesus era que o Espírito nos livrasse da angústia de uma vida seca e sem propósito. Ele nos propiciaria a novidade de uma fonte que não se esgota.

11. O Espírito é quem contemporaneamente julga os cristãos. Atos 5:1 em diante, narra o fato de que o Espírito exerceu juízo sobre Ananias e Safira, que haviam mentido, enganado, usado de hipocrisia. Deus julga hoje, em plena “época” da Graça. Existe uma outra ideia da Graça, segundo a qual o Deus que ama não julga. Mas de acordo com I Coríntios 11:32 ele nos julga para que não sejamos condenados com o mundo. Julga na Ceia, julga pelo Espírito, julga pela Palavra; julga a nossa vida pelas expressões de dor e perplexidade que nos acometem.

12. O Espírito Santo quem nos santifica. II Tessalonicenses 2:13 afirma que nós fomos escolhidos “para a salvação, pela santificação do Espírito”. Em I Coríntios 6:11 também está claro o fato de que o Espírito nos santifica, mas não apenas metafisicamente. Paulo, no contexto antecedente, diz que os impuros, beberrões, adúlteros, injustos, maldizentes, ladrões, não herdarão o reino dos céus. A seguir declara: “Tais fostes alguns de vós”. A Igreja de Corinto era uma grande casa de recuperação, um hospital, uma comunidade terapêutica: “Tais fostes alguns de vós”. Em outras palavras, isto é o que Paulo diz: “Viestes para cá beberrões, prostitutas, lésbicas, sodomitas, homossexuais, mas fostes feitos de fato santos. Se não, veja o texto: “Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes; mas fostes santificados (...) no Espírito”. Tal significação podia realmente ser vista na vida deles através de mudanças práticas e perceptíveis.

13. É o Espírito quem fortalece o nosso íntimo (Ef. 3:16). Ele fortifica o nosso homem interior com “dynamis”, com poder maravilhoso, para não sermos como aquelas horríveis hienas: “Ó mês, ó dia, ó ano, ó azar!...” Quando lemos o livro de C.S. Lewis, “Cadeira de Prata”, conhecemos um sapo chamado Paulama, que murmura: “Ó dia” Não vai dar certo! Dia de sol é prenúncio de dia de chuva...” Mas o que acontece para quem tem Jesus no coração é algo maravilhoso: vem o Espírito e fortalece o coração com poder; o homem interior com “dynamis”, com explosão, com força miraculosa.

14. É o Espírito que nos inunda de amor na tribulação, nas situações amargas e difíceis. Romanos 5 contém a conhecida sequência que fala da tribulação que produz perseverança; a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Após o que o Espírito de Deus se derrama no coração. Há uma especial inundação do Espírito no coração do cristão que persevera esperançoso em Deus.

15. O Espírito é o Espírito da alegria. Essa alegria não é simples resultado de música alegre, animada ─ uma espécie de festival evangélico. Pode até ser; de vez em quando isso é bom. Mas alegria espiritual não é brincadeira; é fruto do Espírito do Senhor em nossa alma. O Reino de Deus não é comida nem bebida. Não é através disso que sou feliz. Não é pelo fato de me fartar de delícias que me encho de contentamento. Paulo afirma que o Reino de Deus não é nada disso; pelo contrário, “é paz, justiça e alegria no Espírito Santo”. Em I Tessalonicenses 1:16 Paulo dia que a Igreja de Tessalônica, mesmo em meio à tribulação, “transbordava de alegria no Espírito Santo”.

16. É o Espírito que nos concede a mente de Cristo. O Espírito conhece as profundezas de Deus. Só ele sabe realmente o que Deus pensa. E é ele quem compartilha conosco o pensar de Deus. Dessa maneira podemos alcançar o milagre de termos a “mente de Cristo” (I Co. 2:14,15). A harmonização da nossa mente com a mente de Cristo é, portanto, obra do Espírito, mediante sua capacidade de imprimir as mais fortes impressões do caráter e da vontade de Deus em nossa mente. Tal trabalho não nos dispensa a relação com a Palavra de Deus na nossa conformação mental a seus padrões. Todavia, requer-se de nós mais que leitura e estudo da Palavra. É necessário que se mantenha essa relação com ela enquanto se assume singeleza intelectual. Através de tal singeleza nossa mente se oferece ao Espírito de Deus a fim de que ele nos “imprima” a Palavra de Deus no coração. Essa atitude nos assegura uma relação com a revelação dos referenciais básicos da mente de Deus (a Palavra), enquanto se tem também percepção da mente de Cristo em relação aos aspectos particulares da nossa vida (pela aplicação que o Espírito faz da Palavra). Ou seja: a Bíblia nos oferece a certeza de como é o caráter de Deus. Mas é mediante uma profunda relação com o Espírito que somos capacitados a discernir quais são os aspectos da mente de Cristo que têm relação com nossa vida individual. Tal discernimento é a especificação da vontade de Deus com respeito a nós, e que se dá dentro dos referenciais do caráter de Deus, conforme definidos de maneira inequívoca na Escritura.

17. É o Espírito quem nos proporciona a vida e paz. Romanos 8:6 diz que “o pendor da carne dá para a morte, mas o pendor do Espírito dá para vida e paz”. Isso porque ele nos capacita também a viver em obediência à vontade de Deus, ainda que libertos da lei. Romanos 8:4 diz que agora estamos aptos, capacitados pelo Espírito a cumprir a lei do Espírito e da vida, porém isentos da lei moral. Isso parece contraditório, mas não é. De fato, Cristo nos libertou da lei moral a fim de que vivamos a vontade de Deus. A lei moral é impraticável porque determina que a relação do indivíduo com ela tem que ser obediência objetiva absoluta. Caso contrário se está morto. No entanto, a fé cristã nos apresenta nossa relação com Deus como sendo livre da moral, a fim de que sejamos escravos do seu amor. Para muitos, isso pode parecer a mesma coisa, mas não é. No primeiro caso (da lei moral), o indivíduo é pressionado à obediência de fora para dentro. São preceitos externos que se tornam nos referenciais da vida dele. Já no segundo caso (escravidão ao amor de Deus), nossa obediência é resultado de um constrangimento de amor não culposo que é derramado pelo Espírito da graça no nosso coração. A lei gera uma obediência assustada e culposa. O Espírito da graça dá origem a uma obediência livre, santa, nascida no interior do ser. É o que diz Gálatas 5:23 quando afirma que quem ainda no Espírito manifesta o fruto do Espírito, que é “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, mansidão e domínio próprio”. No final desta afirmação Paulo diz: “Ora, contra estas coisas não há Lei”. Não há lei porque o amor cumpre toda a lei, daí resultando que aquele que a cumpre não se sente cumprindo. Ele apenas experimenta a sensação de estar vivendo em obediência ao amor de Deus. Tudo isso é obra do Espírito no nosso coração: “Andai no Espírito, e jamais satisfareis as concupiscências da carne” (Gl. 5:16).

18. É o Espírito quem dá testemunho da nossa filiação a Deus. E para que se alcance esse objetivo não é preciso haver qualquer forma de condicionamento mental, ou lavagem cerebral do tipo que enfia convicção na cabeça das pessoas pela via de repetições como esta que se ouve por aí: “Meu filho, você é filho de Deus; você já fez essa declaração, lembra? Você é filho de Deus, e filho de Deus, é filho de Deus...” Faz-se muito disso em nossos dias. Contudo, o que a Bíblia diz em Romanos 8:16 é que”o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

19. É o Espírito quem nos conduz à imagem de Cristo. Em II Coríntios 3:18 está dito que nós estamos sendo trabalhados, esculpidos, transformados e burilados pelo Espírito à medida que contemplamos a glória do Senhor como que por um espelho. Vemos a imagem de Cristo no espelho da Palavra. Mas essa contemplação não é ainda nítida. Vemos como que em diagonal, contemplando a imagem às vezes turva. No entanto, o Espírito Santo está agindo em nós, fazendo com que nos conformemos à imagem de Cristo que estamos vendo na Palavra. Se olharmos para Jesus, dia a dia o Espírito nos vai tornando mais semelhantes a ele. E quando o Senhor vier e nos transformar plenamente na sua imagem glorificante, esta terá sido também uma obra do Espírito em nossa vida.

(Texto Extraído do Livro: Espírito Santo: O Deus que vive em nós do Pastor Caio Fábio)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO AO MUNDO

1. O Espírito Santo convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16:8). É ele quem dá ao homem convicção de pecado, neste nosso mundo onde dia-a-dia as consciências se entorpecem, se cauterizam; neste mundo onde certas correntes da Psicologia ensinam que sentimentos de pecado são apenas subproduto de condicionamentos de opressões culturais, sociais e religiosas, nada mais. E que não existe nenhum absoluto que possa julgar a conduta e a vida humana, porque todos os absolutos foram relativizados. Numa sociedade como a nossa, somente o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado. A sociedade brasileira tem atingido índices inimagináveis de sodomia e perversão. Temos uma das televisões mais sujas do mundo, e a maior expressão de orgia pública do planeta e da história da raça humana, que é o carnaval. Neste país e nesta sociedade sem consciência, somente o poder do Espírito Santo pode convencer do pecado. Só o Espírito Santo pode persuadir de pecado o ser humano identificado com a cultura deste século. Todas as vezes que vejo alguém considerado “entendido” chorando, quebrantado, eu me regozijo com o milagre.
Ele convence da justiça. Convence não apenas do fato de que Deus é justo, mas de que ele é justo e justificador. Quando Jesus afirmou esta obra do Espírito, ele estava falando sobretudo da justiça e da justificação. O Espírito Santo convence da possibilidade de se ficar em paz com Deus, com a consciência tranquila; e traz convencimento da justificação. Após convencer do pecado e da possibilidade da justificação, se o homem confrontado com essas coisas não se apropria delas com fé e arrependimento, o Espírito então o convence do juízo, da condenação que vem sobre o diabo e todos aqueles que se fazem seus filhos pela obediência aos seus desejos (Jo. 8:44).

2. É o Espírito Santo quem detém o poder do anticristo. Em II Tessalonicenses 2:6-8, Paulo fala da vinda do anticristo, da apostasia dos últimos dias e do poder que hoje detém tal manifestação, para que esse mistério da impiedade seja manifesto apenas em ocasião própria. Literalmente é assim que o apóstolo diz: “Com efeito, o ministério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém.
Há quem diga que quem detém a vinda do anticristo é a igreja. Outros afirmam que é o poder político que está impedindo a manifestação do anticristo. No entanto, o que penso é que quem detém o anticristo é o Espírito Santo. Mas à luz do v. 6, seria difícil pensar que é o Espírito, porque o pronome que aparece aí ─ “e sabeis o que detém” ─ tem no original um sentido totalmente impessoal, não é pessoa, mas força, energia. Mas o v. 7 anula o questionamento, quando o chama de aquele, atribuindo-lhe pessoalidade: ou seja, é uma força pessoal que o detém. E a única força pessoal capaz de deter o anticristo na história é o Espírito Santo. É por isso que até aqui o anticristo não se manifestou. Têm aparecido os Hitlers, os Idi Amins, os Khomeinis da vida, mas o Espírito do Senhor continua detendo a manifestação final. No entanto, chegará a hora em que o Espírito cessará de deter, e essa manifestação será como uma das evidências, claras e inequívocas, de que a vinda do Senhor está próxima.

3. O Espírito Santo trabalha em toda a Terra. Apocalipse 5:6 diz que o Espírito de Deus é “enviado por toda a Terra”. Viajo frequentemente de avião em alturas muito elevadas. Olhando para baixo avisto choupanas mínimas, em lugares inóspitos. A primeira vez que atravessei o Atlântico e vi lá do alto as ilhas Canárias, pensei: “Meu Deus, tua Palavra me diz que o Espírito do Senhor está trabalhando em vidas ali!” Algumas vezes sobrevoei o deserto do Saara. De vez em quando apareciam povoados. Com a mente cheia do que Jesus dizia, repetia para mim mesmo: “E o Espírito de Deus será enviado por toda a Terra para aplicar a salvação em Jesus, e para derramar o conhecimento de Deus sobre a Terra assim como os mares enchem e cobrem a Terra”.


(Texto Extraído do Livro: Espírito Santo: O Deus que vive em nós do Pastor Caio Fábio)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO À PALAVRA

1. O Espírito Santo inspirou as Escrituras. Pedro diz a esse respeito “que nenhuma Escritura provém de particular elucidação humana; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (II Pe. 1:20,21). Não há, à luz desse texto, margem para qualquer debulhamento críticas das Escrituras, ou para descobrirmos a teologia produzida por Paulo, Pedro, Tiago, ou quaisquer outros, como se concebidas por homens, divorciadas entre si e seccionáveis para estudos que saciem a curiosidade humana. A Escritura, muito ao contrário, revela-se como um todo; toda ela é inspirada pelo Espírito Santo, ainda que tal revelação tenha sido gradual e progressiva. Pedro incluía, entre aquilo que ele chamava de Escritura, as cartas de Paulo. Ainda em sua segunda epístola, cap. 3, v 16, o apóstolo faz referência a elas dizendo que se equiparavam às “demais Escrituras”. Diz o v. 16: “nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam”. Pedro coloca as cartas de Paulo em pé de igualdade com Jeremias, Isaías, os profetas, o Pentateuco e tudo o mais. Ele as considera tão inspiradas quanto as outras partes da Palavra de Deus; corrompê-las equivalia, portanto, a deturpar a Escritura. Afirma-se assim, mais uma vez, a inspiração do Espírito na Palavra de Deus. Paulo, como homem, errou algumas vezes. Nem sua conversão o isentou de tal possibilidade. Todavia suas cartas foram mais que cartas. Foram cartas de Deus à Igreja e à História.

2. O Espírito Santo interpreta as Escrituras. Em Efésios 1:17 Paulo ora, pedindo a Deus que os homens recebam inspiração, iluminação e espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento e discernimento das coisas de Deus. Dessa forma a iluminação do coração para discernir as Escrituras é obra do Espírito. Sem a iluminação do Espírito é possível conhecer muito da Escritura através dos instrumentos hermenêuticos. Também qualquer estudo histórico-técnico do texto bíblico é extremamente revelador em si mesmo, ainda que o estudioso não ore e nem creia no Espírito. No entanto, tais estudos e instrumentos só nos possibilitam sua compreensão objetiva. E sem dúvida a Escritura se permite tal análise. Contudo, seu significado para hoje como Palavra de Deus dirigida a nós como pessoas, não se dá, de modo nenhum, mediante os instrumentos hermenêuticos. Ele decorre da iluminação do Espírito Santo. E nesse sentido toda instrução e sabedoria do mundo são totalmente inúteis. Afinal, quando somos estimulados pela Escritura a nela meditar e a entendê-la, somos instigados a um estudo inteligente, conferindo coisas espirituais com coisas espirituais. Não há, entretanto, um estudo técnico da Escritura. Tais estudos são utilíssimos quando acompanhados de piedade e reverência diante da Palavra de Deus. Caso contrário eles são apenas estudos da letra morta da Palavra. Parece que foi exatamente isso que João quis dizer quando afirmou: “Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanecem em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (I Jo. 2:27).

3. O Espírito transforma a Palavra de Deus em espada, Paulo diz, em Efésios 6:17, que ela é a espada do Espírito. Sem o Espírito, a Escritura é um livro que alguns teólogos céticos conseguem reduzir a quase nada. Sem ele, ela é lida, manifesta, e amiúde não produz os efeitos esperados porque, frequentemente, pregamos a Palavra movidos por presunção e não pela unção que faz da Escritura a Palavra-espada de Deus. Ela é espada, mas tem que ser usada pelo Espírito. Nas mãos do Espírito ela edifica; nas mãos de um ser humano presunçoso e nem temor de Deus ela é uma calamidade. Serve para dar base a qualquer loucura humana. Nas mãos do Espírito a Escritura golpeia o pecado, constrói o amor, defende a verdade, promove a justiça, consola o aflito e entroniza Jesus, mas, nas mãos do espírita, por exemplo, ela exalta Chico Xavier, porque ele a interpreta de forma completamente errada, dela se aproveitando de modo desastroso.

4. O Espírito Santo torna a Escritura uma realidade escatológica: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo aquilo que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir” (Jo. 16:13). É portanto o Espírito Santo quem dá à Escritura essa característica preditiva. Jesus diz que o Espírito viria e anunciaria as coisas que haveriam de acontecer. Por isso, quando leio Paulo em II Timóteo, que fala das coisas referentes aos “últimos dias”, ou o Apocalipse, e encontro predições sobre as últimas coisas, meu coração é confortado, pois tenho o respaldo de Jesus, ensinando e avisando que quando o Espírito viesse daria à Palavra e à mensagem esse cunho escatológico e preditivo. Por isso, ao estudarmos os elementos escatológicos contidos no Novo Testamento, as doutrinas das últimas coisas, sentimos a segurança de não estarmos lidando com sonhos humanos, mas com verdades de Deus para o futuro.

5. Foi o Espírito Santo quem trouxe a Palavra de Deus à memória dos discípulos (Jo 14:26). Como pôde Mateus lembrar-se de todas aquelas coisas? E João? Marcos narra basicamente fatos, o que é sem dúvida mais fácil de recordar. Ele escrevia as reminiscências de Pedro. Lucas fez sua coletânea de “assuntos em ordem”. Entretanto, João apresenta mais do que fatos. Ele diz: “E o Senhor disse...” e, então, nos apresenta em detalhes discursos inteiros de Jesus, palavra por palavra. Como tal memória poderia ser tão precisa sem a ação direta e relembradora do Espírito Santo?
Quando ainda jovem na fé eu lia o evangelho de João e me questionava: “Meu Deus, sem um gravador para gravar tudo isso... Como pôde esse homem reter tanta coisa?...” Mas é aí, que vem a palavra de Jesus e tira essa crise canônico-tecnológica da nossa mente, quando diz: “Quando o Espírito Santo vier, ele vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito”. Os teólogos liberais tiveram muita dificuldade em acreditar que o Evangelho era a expressão original dos ensinos de Jesus, porque lhes faltava a dimensão “carismática” do modo pelo qual a Palavra foi “preservada” na “memória” dos apóstolos e da Igreja.

(Texto Extraído do Livro: Espírito Santo: O Deus que vive em nós do Pastor Caio Fábio)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

COMO JEJUAR?

Não há regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar, isto é algo pessoal.


NA IGREJA PRIMITIVA, o jejum está associado a:

·         Adorar ao Senhor – Os líderes da igreja em Antioquia jejuando apenas para adorar ao Senhor (Atos 13:2);

·         Enviar missionários – Na hora de impor as mãos e enviar missionários (Atos 13:3);

·         Estabelecer presbíteros – Além de impor as mãos com jejum sobre os enviados, o faziam também sobre os que recebiam autoridade de governo na igreja local, o que revela que o jejum era um princípio praticado nas ordenações de ministros (Atos 14:23).


NAS EPÍSTOLASsó encontramos menções de Paulo de ter jejuado (2ª Coríntios 6:3-5; 11:23-27).



O JEJUM FOI PRATICADO NA HISTÓRIA DA IGREJA?

Sim, e muitas vezes.

·         Nos dias que precederam a reforma protestante, Martinho Lutero vivia em constante oração e jejum.  Certa vez, ao fazer um comentário sobre o salmo 23, ele ficou por três dias trancado em seu quarto, comendo somente pão e sal. Sua esposa contratou uma pessoa para arrombar a porta, e lá estava Lutero mergulhado em suas meditações.

·         Jonatan Edwards ficou três dias em oração e jejum para que Deus intervisse na sua Igreja que era mundana. O sermão pregado naquela noite não foi sobre o amor de Deus, mas sim sobre a ira divina. A mensagem ficou na história. O tema foi "Pecadores nas mãos de um Deus irado". O resultado foi que 500 pessoas se converteram. Durante a madrugada podia se ouvir o choro de muitos em arrependimento por seus pecados.

·         John Wesley depois de voltar da Geórgia decepcionada pela falta de frutos em seu ministério, passou a reunir-se na Faculdade de Oxford com Charles Wesley e George Whitefield. O propósito desses jovens era consagração total a Deus. Passaram a acordar mais cedo para orar. Programaram algumas vigílias e passaram a jejuar todas as quartas e sextas. O resultado dessa consagração é que John Wesleypregou por mais de 50 anos, ganhou para Cristo milhares e milhares de almas. Seu irmão, Charles Wesley escreveu muitos hinos e Deus o fez o maior escritor de hinos da História. George Whitefield era pregador por excelência e não havia prédio onde coubessem os auditórios e, por isso, sempre armava seu púlpito nos campos, fora das cidades. Atravessou treze vezes o Atlântico para pregar nos Estados Unidos. Sem dúvida, ele foi o profeta do metodismo.

·         João Calvino e John Knox passavam períodos longos buscando a Deus com oração e jejum.

·         Davi Brainerdr, Charles FinneyD.L MoodyCharles Haddon Spurgeon, todos foram homens de oração e jejum.



FRASES SOBRE JEJUM

·         “O jejum é uma abstenção voluntária e deliberada de alimentos, com o objetivo de se dedicar à oração. De um modo geral, no jejum nos abstemos apenas dos alimentos sólidos, mas em algumas ocasiões, nos abstemos de água também, por curto período de tempo.” David Yonggi Cho

·         “O jejum cristão nasce da saudade de Deus.” John Piper

·          “Os santos de Deus em todos os tempos e em todos os lugares não só creram, mas praticaram o jejum.” Errol Hulse

·         “Nossas temporadas de oração e jejum no tabernáculo têm sido, na verdade, dias de elevação; nunca a porta do céu esteve mais aberta; nunca os nossos corações estiveram mais próximos da glória.” Charles Haddon Spurgeon

·         “O jejum é um instrumento de mudança, não em Deus, mas em nós. Leva-nos ao quebrantamento e a humilhação e a ter mais gosto pelo pão do céu, do que pelo pão da terra. Jejum não é greve de fome, regime para emagrecer ou ascetismo. Também não é meritório. Ele sempre se concentra em finalidades espirituais.” Hernandes Dias Lopes

·         “Jejum é fome de Deus. O maior inimigo da fome de Deus não é o veneno mortífero, mas uma torta de maçã. Os maiores adversários do amor de Deus não são seus inimigos, mas seus dons. E os mais mortíferos apetites não são pelos venenos do mal, mas pelos simples prazeres da terra. O jejum revela o grau de domínio que o alimento tem sobre nós. O jejum cristão é um teste para conhecermos qual é o desejo que nos controla.” John Piper

·         “Jejum, no sentido bíblico, é decidir não comer porque sua fome espiritual é tão profunda, sua determinação em interceder tão intensa, ou sua luta espiritual tão exigente que você abandona temporariamente até mesmo as necessidades carnais para decidir-se à oração e meditação.” Wesley Duewel

·         “O jejum não pode ser entendido apenas como abstinência de alimento e bebida, mas de qualquer coisa que é legitima em si mesma por amor de algum propósito espiritual.” Martyn Lloyd-Jones

·         “Se você disser que vai jejuar quando Deus o fizer sentir essa necessidade, jamais jejuará.” D.L Moody

·         “No jejum mostramos que queremos algo maior que o alimento físico; mostramos que estamos famintos por Deus” Pr. John Piper

·         “Jejum é uma abstinência com uma finalidade espiritual. Começar a jejuar é começar a morrer, é abrir mão daquilo que é essencial à sobrevivência, à subsistência. É uma forma de dizer que em algum momento da vida nós nos deparamos com uma realidade que é mais importante que a nossa própria sobrevivência. Jejum é esse passo em direção aquilo que é mais importante do que o permanecer vivo. Tudo isso precisa ser feito em um anonimato, e não depende de nós, mas de Deus. Nós não conquistamos, nós recebemos dádivas.” Pr. Ed René Kivitz

·         “Jejum não é sacrifício, é sacro-ofício, e é prazer! Foi por isto que Jesus disse que ele deve ser praticado em “secreto”, pois fazê-lo em público é o caminho para a corrupção da devoção, pois vira show de santificação—é o caminho dos fariseus. Jejum deve ser a declaração do prazer da alma no silêncio, na quietude, na meditação e na curtição do ser de Deus. Jejum precisa ser carregado de amizade com Deus. O jejum do desespero acontece quando o desespero é maior que a necessidade de comer. Mas o verdadeiro jejum é como separar um tempo para gozar amores num lugar secreto, com o Deus de sua vida. Esse jejum faz falta. Nesse eu acredito. E creio que quando ele voltar a ser praticado muita coisa vai mudar na alma do povo. Todavia, tem que ser assim: discreto, apaixonado, silencioso, e amante de Deus. Tal prática enche o coração de gozo, sensibiliza a alma, e dá voluntariedade ao espírito. Quem come esse jejum alimenta-se de gratidão!” 

Jejum e Oração abriu a porta!

  “Vá, reúna todos os judeus que estão em Susa e jejue por mim … eu e os meus assistentes jejuaremos como você” (Ester 4:16). A rainha Ester...